segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tempos cubanos

Manisero, em español, são os vendedores de amendoim ou maní. A famosa música Manisero é interpretada aqui por trambonistas de uma importante orquestra alemã:

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Se para o escritor viver é perigoso, para alguns psiquiatras virou doença.

Você acha que comer demais ou ter uma TPM forte é uma doença mental? E uma criança que faz uma birra ou alguém que tenha dificuldade de se desfazer de objetos ou de “lixo”, podem ser chamados de loucos? Pois para o DSM-5, sim, todos eles são loucos. 

A nova ediçao do DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), também conhecida como a “Bíblia da Psiquiatria” foi lançada recentemente nos Estados Unidos. Como ela irá influenciar os diagnósticos de médicos aqui no Brasil, recomendo que leiam este artigo de Eliana Brum, publicado na Revista Época, clicando aqui. Chama-se "Acordei Doente Mental"


terça-feira, 30 de abril de 2013

Pecados, em geral bem pesados.

Paulo Vanzolini teve muitos intérpretes, mas Márcia e, talvez, Chico Buarque, foram os mais marcantes. Quase nada a ver, mas Adauto Santos, tocador de vida e de viola, canta Triste Berrante. Música sertaneja pra falar do urbaníssimo Vanzolini, que dizia: "No último dia da vida encontrei-me com meus pecados, uns maiores outros menores, mas no geral bem pesados". É...






Quando eu for, eu vou sem pena, também já se dizia...

quarta-feira, 27 de março de 2013

O top hit da tortura musical em Guantanamo

Eu tava lendo sobre tortura musical e encontrei essa montagem. Os caras fizeram uma pesquisa com os guardas e ex-prisioneiros de Guantánamo sobre a inclusão da tortura musical lá e depois fizeram essa hilária seleção. Mas é real isso. Tem pop, metal, hard rock, country, jingles comerciais, assim como "mash-ups" criados pelos agentes da CIA, administradores da prisão e torturadores. Enfim, tem de tudo. 

Dois dos caras, Binyam Mohamed e Donald Vance, declararam que foram torturados por 76 dias seguidos ouvindo uma mesma música desse vídeo. 

Mas o que me deixou mais encucado mesmo foi eles não conhecerem a programação musical das rádios e tvs brasileiras. Quanto amadorismo...

terça-feira, 19 de março de 2013

A verdadeira face da meritocracia: a UFMG e o novo autoritarismo.

Os neo neoliberais não precisam mais serem autoritários, desiguais e preconceituosos. Eles agora defendem a meritocracia. Simplesmente.

Os neo neoliberais não precisam mais terceirizar. Eles contratam. Simplesmente. Contratam para seus projetos, não importa muito o cargo. Contratam bolsistas. Estagiários. Todos pela meritocracia, claro.

Os neo neoliberais não precisam mais trabalho. Não precisam mais humanizar as relações de trabalho. Pra quê? Eles tem a meritocracia!!

Amigo meu conta que na UFMG se implanta um ponto eletrônico seletivo. Estão cadastrando digitais. Professores viajam o Brasil e o mundo todo com o dinheiro público. Eles não batem ponto. Mas amigo meu tem medo de, sem mérito, ou por mérito, já não sabe bem, lhe cortarem o salário por não bater o ponto. Melhor seria uma tornozeleira, diz ele, não sei se diz com ironia ou não.

Fui procurar o que fazia o reitor da UFMG nos anos de ditadura. Pouco encontrei. O que já diz muito. O que vi é que ele investiu bastante, digamos, na sua meritocracia.

Bem-vindo ao Brasil do século XXI. Disse pro amigo meu. Pensei até em falar de justiça. Ah, mas deixa pra lá.

Trote de alunos da UFMG, talvez admiradores da meritocracia.

domingo, 17 de março de 2013

Curitiba, Arrigo Barnabé e Carlos Careqa.

Pelos blogs da noite, descobri essa música que conheci com Arrigo Barnabé durante um Xou da Xuxa.

O ano, talvez, era 1993. Mas posso dizer que Não dê Pipoca ao Turista foi apresentada antes de Uga Uga, se não me falha a memória.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Justiça decide sobre censura

Por Lino Bocchini via http://desculpeanossafalha.com.br/


Abaixo, o logotipo proibido e Otavinho Vader, uma de nossas fotomontagens originais

O logotipo proibido e Otavinho Vader, uma de nossas fotomontagens originaisA disputa jurídica Folha X Falha vai ser julgada em 2ª instância na próxima quarta-feira, dia 20 de fevereiro, pela 5ª turma de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo. Você pode se perguntar: “Ótimo, sorte pra vocês. Mas o que essa briga da Folha com a Falha tem a ver comigo?”. Tudo. É fácil entender, por gentileza perca mais 2 minutos e leia esse texto até o final. Segundo o próprio juiz de 1ª instância, Gustavo Coube de Carvalho, trata-se de um caso sem precedentes no Brasil. Nunca antes um grande veículo conseguiu tirar do ar judicialmente um site ou blog que o criticasse. Na ausência de jurisprudência em solo nacional, o magistrado chegou a citar casos dos EUA –onde, aliás, paródias assim são permitidas.

A alegação central da empresa da família Frias é a de que a Falha fazia “uso indevido da marca”, e que o logotipo e o nome registrado eram parecidos demais com os originais. Acontece que para toda blogosfera nacional, para organização Repórteres sem Fronteiras, pro relator da ONU para a liberdade de expressão, para o Financial Times e outros veículos internacionais de peso, pro Marcelo Tas, para deputados federais de 10 partidos, pro Gilberto Gil e até para Julian Assange, paródias e críticas como as feitas pela Falha não são motivo para censurar ninguém.

Há quase 100 anos, Barão de Itararé satirizou o jornal “A Manhã” criando a “A Manha”. De lá pra cá dezenas de outros casos, no Brasil e no exterior, foram na mesma linha –lembra da “Bundas” de Ziraldo, que parodiava a “Caras”? E, desde os tempos do Barão de Itararé, ninguém censurou ninguém. Mas aí vieram os barões de Limeira.

Estamos fora do ar a pedido do jornal desde outubro de 2010, com uma ameaça de multa diária de R$ 1.000 caso voltemos. O juiz que concedeu a liminar foi até “bonzinho”: o pedido original da Folha era de uma multa de R$ 10 mil por dia se continuássemos no ar com nossas críticas. Esse site, o Desculpe a Nossa Falha, não contém nada do que estava no site original. Em 1ª instância o final da censura foi negado, e agora vamos ao segundo round. A decisão final abrirá uma jurisprudência, ou seja: em casos semelhantes no futuro, os juízes devem basear sua decisão em um caso anterior semelhante já julgado em definitivo. O que for decidido na batalha Folha X Falha vai balizar decisões futuras. E é aí que mora o perigo.

Precedente perigoso: essa charge do Angeli, publicada na Folha poucos dias após sairmos do ar, poderia ser censurada pelo Mc Donald´s, utilizando-se dos mesmíssimos argumentos que o jornal usou contra nós
Precedente perigoso: essa charge do Angeli, publicada na Folha poucos dias após sairmos do ar, poderia ser censurada pelo Mc Donald´s, utilizando-se dos mesmíssimos argumentos que o jornal usou contra nós

O embate central é entre a versão da Folha, que pratica censura travestida de proteção à marca versus a versão da fAlha, que evoca a liberdade de expressão. Em caso de vitória do jornal, o precedente que se abre é tão grave que joga contra a própria empresa, que poderá ser processada e condenada em publicação de algumas charges ou colunas do Zé Simão, por exemplo. A própria advogada Taís Gasparian, que assina o processo de 88 páginas contra nós (irmãos Mário e Lino Bocchini), em 2009, fez outra avaliação. Ao defender José Simão contra um processo que tentava censurá-lo, escreveu: “tratar o humor como ilícito, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”. Assinamos embaixo.

Defesa pública da censura

O julgamento da quarta que vem será interessante. Começa às 9h, e haverá sustentação oral dos advogados de cada parte. Será a primeira vez, desde o começo do processo, que algum representante da Folha vai falar, defendendo a censura publicamente. Qualquer um pode assistir, é só estar na 5ª turma do TJ-SP às 9h. A presença da imprensa também é permitida, naturalmente. E, a exemplo do julgamento do chamado Mensalão, seria muito interessante uma transmissão ao vivo –mas, para isso, algum veículo de imprensa tem que solicitar ao TJ, e o mesmo deve autorizar.

Por fim, um pedido singelo: por favor ajude-nos a divulgar o caso. Reproduza esse texto no seu blog, facebook ou twitter, ou então escreva sobre o tema com suas próprias palavras. Se animar, de repente vá acompanhar o julgamento ao vivo. Por motivos óbvios, a imprensa convencional irá ignorar o caso. Daí nosso apelo. Obrigado.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Meritocracia e darwinismo: a ciência como justificativa do mérito

Este texto é uma crítica a um conceito muito em voga:  a meritocracia. Em sua definição mais comum, a meritocracia é a crença que considera que a aptidão ou esforço individual é determinante para que se faça justiça social. Hoje em dia, existe uma certa sofisticação no falar e são variadas as formas de se referir ao mérito, meritocracia, nas mais diversas esferas sociais. Esta sofisticação vocabular, no entanto, com frequência esconde uma série de preconceitos teóricos, especialmente quando se usa o termo como justificativa aplicada ao ambiente do serviço público e à educação.

O principal problema deste tipo de argumento, o meritocrático, é que ele não altera nem questiona o status quo social. Tais preconceitos implícitos e, certas vezes, ocultos me incomodam. Eles têem como raíz, inicialmente, o fato de que quando se fala em meritocracia não se pensa a transformação social como ação, nem a igualdade como forma de justiça. Muito pelo contrário, para o discurso meritocrático a justiça reside na recompensa desigual às diferenças, privilegiando assim os mais aptos, esforçados, sabidos ou espertos.  O curioso é que, dentro dessa visão, alguém fora de certo círculo vicioso de virtudes dos privilegiados até poderia, sim, ter algum mérito social. Desde que fosse proporcionada uma combinação rara de fatores: genes herdados da espécie e uma forte formação moral familiar cristã anglo-saxônica.

Encontra-se aqui uma limitação teórica presente neste discurso meritocrático. É que nele as diferenças individuais são reduzidas e tratadas como um dado natural, ou seja, da natureza. Portanto, as diferenças entre as pessoas seriam parte do processo de seleção natural da espécie. Por isso, deveriam ser inexoravelmente aceitas, e até mesmo estimuladas, a despeito do sofrimento que possam causar aos não agraciados com os genes sociais do sucesso, da virtude, do talento e do esforço. Ora, não é preciso ir muito além deste frágil raciocínio social darwinista para se detectar as falácias contidas na meritocracia, embora nem todos os que se auto-intitulam cientistas estejam preparados para lidar com suas limitações. Pois, sim, estou afirmando que, até mesmo darwinisticamente, é possível ir além do preconceito. Para isso, é preciso somente um pouco de sensibilidade social.

Como vimos, o discurso meritocrático é o discurso de glorificação do indivíduo e de suas supostas qualidades inatas. No discurso meritocrático, é a desigualdade, e não a igualdade,  a meta a ser atingida e recompensada: em suma, visa-se reconchecer o esforço individual, fruto da aptidão inata dos indivíduos e premiar aqueles que se destacam dos demais, pois estes são os que mais se esforçam e, enfim, os que mais fazem "por merecer". O indivíduo, o esforço e o talento: transformados quase numa operação matemática, assim, ingenuamente, crê-se através deste discurso que o merecimento seria resultado apenas da soma do esforço do indivíduo com o seu, digamos, talento, como se ele vivesse numa bolha isolado da sociedade e do convívio com os outros indivíduos da espécie

Por isso é que, para os adeptos desta visão de meritocracia, do ponto de vista das políticas públicas, bastaria ao Estado incentivar o mérito, dando as mesmas chances iniciais a todos, para que, milagrosamente, os indivíduos se destaquem "por si sós". A referência é o mínimo de interferência externa, como se isso fosse possível: se houvesse um slogan político para isso, seria o famoso bordão conhecido como "o resto é com vocês", ou também, "já fiz a minha parte. Agora se virem".

Tais políticas modernas de desobrigação do Estado com o welfare state, como se vê, impactam profundamente valores solidários com o combate à desigualde social, e praticamente nos obriga a procurar outros sentidos a conceitos fundamentais da revolução francesa como liberdade e fraternidade, que em seu sentido original não se coadunam com a atual visão materialista, funcional e individualista que se dá ao termo igualdade. Não é a toa que, atualmente, todos os três termos estejam passando por redefinições teóricas, tendendo a ser vistos por acadêmicos, pesquisadores e políticos com menos carga de solidariedade e vínculo social. Agora, observemos a seguinte imagem:

A imagem acima representa, em uma metade, esta estranha lógica meritocrática do pensamento conservador. Por exemplo, para se incentivar o mérito,  bastaria ao estado apenas prover as condições mínimas iniciais de igualdade. Já para outra visão, mais vinculada aos valores da esquerda, já se admite como objetivo o urgente combate às desigualdades. Por isso, para essa linha de pensamento, a contribuição das políticas públicas deve ser, necessariamente, desigual.

Vejamos um exemplo de como isso funciona no campo das políticas públicas na área educacional. Em meados do século XX, nasceu em alguns países europeus a expressão "currículo mínimo", que contemplava em parte essa definição da meritocracia. Esta expressão consistia na ideia de que as escolas e universidades deveriam ofertar a todos os alunos, sem nenhuma distinção, uma espécie de acesso a um cardápio básico e indispensável de conhecimentos. O objetivo era oferecer o essencial em termos de conhecimento comum e universal a todos o que, por sua vez, supostamente, igualaria o conjunto dos estudantes. Este conhecimento mínimo universalizado poderia, posteriormente, ser complementado com mais estudos, conforme as aptidões, habilidades e motivações de cada indivíduo durante o restante de sua trajetória escolar. Desta forma, os indivíduos mais dedicados e de destaque poderiam emergir, via mérito individual, e desenvolverem seus talentos.

Ocorre que, após a universalização do acesso ao ensino fundamental nos países centrais europeus, essa ideia de conhecimento mínimo, básico, universal e essencial começou a perder força porque tornava-se  desnecessária nesses países com todos as crianças e jovens na escola. Então, foi necessário fazer um pequeno ajuste de rota: passou-se a buscar a universalização não mais apenas do acesso escolar, mas a busca pela universalização do próprio conhecimento, tarefa obviamente impossível, seja acesso ao conhecimento do ensino básico como um todo, seja do ensino médio ou superior. Apesar disso, nos diferentes níveis de ensino, o currículo mínimo continuou a existir, modificado. Servia agora apenas como uma espécie de guia, determinado pelos gestores escolares, sobre o qual a busca pelo mérito individual tivesse um indicador confiável de medida de base das diferenças. Nesse movimento, pouco a pouco, a ideia de um currículo mínino perdeu força também como forma de garantir igualdade de oportunidades. A prova disso é que diversos países vivenciam diferentes estágios nesta trajetória, embora não se conheça ainda um caso sequer de universalização de acesso ao ensino superior, muito menos do conhecimento, tarefa esta que nos parece, a nós e qualquer ser sensato, impossível.

Pois bem, analisando-se estas ideias meritocráticas aplicadas à educação, conclui-se que, para os gestores, dada alguma condição de acesso ao ensino mais ou menos universal, bastaria ao aluno-indivíduo fazer uso de suas atribuições naturais e morais (os termos que se usam não são exatamente estes, e sim palavras meticulosamente pinçadas de um vocabulário problemático como aptidão, talento, inteligência, esforço ou determinação) e pronto, a mágica estará pronta: "Foi mérito próprio", diz-se, no corolário desse discurso ingênuo e socialmente eugenista.

O problema é que, exatamente por serem diferentes, ou seja, por possuírem diferentes habilidades, os seres humanos necessitam de incentivos distintos em algumas áreas. São necessários programas e políticas públicas que os permitam se desenvolver e aperfeiçoar naquilo que não possuem, para que possam subirem alguns degraus nesta hierarquia social e, aí sim, colocarem-se em condições de igualdade com aqueles que já partiram em melhores condições iniciais.

É aí que vemos que a igualdade como meta, portanto, não combina com o discurso meritocrático. A igualdade é um discurso de solidariedade utópica. Já o mérito é um discurso fatalista, individualista e darwinista.

O discurso meritocrático não é só ingênuo. Ele traz em seu bojo um sério problema: é preconceituoso, pois desconhece as diferenças e iguala socialmente o que é desigual por natureza. 

Em suma, o que quisemos demonstrar neste texto é que, para os que defendem a meritocracia, cabe principalmente (quase exclusivamente) aos indivíduos se destacarem e conseguirem seus objetivos. Assim, com a maior parte da carga pelo sucesso ou fracasso jogada sobre cada pessoa, consequentemente, a sociedade e o estado se desobrigam e afastam-se das suas responsabilidades em prol de uma sociedade mais justa. Por isso,  para a meritocracia,  políticas públicas de proteção e incentivo a determinados grupos sociais, como as cotas ou coisa que o valha, seriam caixotes quase desnecessários e a serem evitados. Quando muito, estas políticas são aceitas apenas como políticas passageiras. Uma condescendência que se faz, digamos, por elegância ou por pena.

Meritocraticamente falando, todos deverim receber "o mesmo" incentivo. Ou seja, serem tratados "igualmente", sem "privilégios" de classe, raça ou gênero. Para este pensamento que possui uma fragilidade incrível (ou seria sarcasmo?), a igualdade é uma ilusão que ingenuamente se vislumbra no mérito.

Obviamente, discordamos veementemente desse tipo de pensamento oblíquo, prenconceituoso e ingênuo.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Para não esquecer

Não me lembro se já postei esse documentário aqui, mas não tem problema repetir.


 É só pra não esqueçer.