domingo, 19 de fevereiro de 2012

Uno grande professor

Durante alguns meses de 2011 e 2012 tive o prazer de dividir algumas aulas de música com o uruguayo Alejandro, el charrúa pelado, professor dos melhores. Sentirei muito sua falta, ele irá para São Paulo. É uma pena que a prefeitura de Belo Horizonte não consiga manter aqui seus bons profissionais. Até o filho do prefeito, que deve ser muito competente, ganhou e já perdeu uma vaguinha no comitê da Copa do Mundo através da prefeitura. Mas, bom, espero que o Alejandro continue cantando tangos, ensinando os sambas, os candombes e tudo o mais para os felizardos alunos paulistanos com a mesma simplicidade e competência que fez em Belo Horizonte.

Abaixo, uma apresentação no encerramento do ano letivo de 2011. Na verdade, é um registro que deixa um pouco a desejar na qualidade técnica, que coloquei mais para homenagear essa grande pessoa. Ele canta o bonito tango "Uno" ao violão, com acompanhamento de flauta. Uno, além de uma bela melodia possui uma letra muito boa. Sucesso ao careca uruguaio.


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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ex-reitora da UFMG usa escolas para divulgar mensagem anti-greve

Ana Lúcia Gazolla, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atual secretária de educação do governo tucano, usou  recursos públicos da caixa escolar, advindos do Estado e da União, para divulgar sua versão da greve dos professores estaduais ocorrida em 2011. Esta denúncia está no Jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, do dia 14/02/12. As escolas foram obrigadas a enviar uma carta anti-greve às famílias, na qual há uma irrisória defesa da política educacional do governo tucano de Aécio e Anastasia, o mesmo que reprimiu as manifestações com a força da polícia e que veicula milionárias propagandas pagas em horário nobre e (não pagas) nos telejornais aliados da imprensa marrom. Lembre-se ainda que o governo de Minas quebrou o acordo de greve com o sindicato. Para a secretária, a educação em Minas é um modelo a ser seguido pelo país e o salário dos professores é justo. Ignorando a reinvindação dos professores, o governo não se inibe em divulgar a sua versão dos fatos de uma greve por melhores salários e condições de trabalho. Greve que chamou de... política! Aliás, diga-se de passagem, a ex-reitora não está sozinha nesta "brilhante" e "popular" ideia, pois que ela é assessorada por  ex-professores e aposentados da UFMG aos quais deu emprego na secretaria para serem pagos com dinheiro público que ela afirma não ter para pagar os professores do estado.

Eu fico imaginando se essa ex-reitora e o próprio governador de Minas não tivessem sido, eles mesmos, professores de escola pública, como seria? Ambos foram professores de uma universidade pública que se diz grande e importante (sim, a UFMG pensa isso dela mesma) mas que passou, sob a mão de um governo tucano, os piores anos de sua história. Para não me alongar muito, basta contar que, dentre outras, a UFMG sob o reitorado Gazolla continuou existindo mesmo após um governo que promoveu, nas palavras de Idelber Avelar: "(...) o maior êxodo de pesquisadores da história do país, não teve uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz". 

Mas vê-se que não serviu como lição. Pelo contrário. Basta frequentar os corredores do ICEX ou até mesmo do próprio DCE-UFMG (presidida por gente ligada à "turma do chapéu", a  triste juventude tucana mineira) e conclui-se que o delicado equilíbrio conquistado nos últimos anos, que bem ou mal proporcionou avanços históricos à educação, está começando a ruir. E se isso de fato acontecer, nosso futuro não parece nada promissor.

Para ler mais sobre a denúncia desse grave absurdo da intelecta "massa cheirosa" da UFMG (como gosta de dizer uma famosa jornalista paulista para se referir aos tucanos) leia aqui a reportagem do jornal.

Esta secretária é da mesma grife (não vou ousar chamar de partido político, por piores que sejam) do milionário prefeito socialista de Belo Horizonte, também aliado dos tucanos, Márcio Lacerda (PSB).
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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Adivinha o que que é?

Essa, só os moradores de Belo Horizonte vão entender. Música de Renato Villaça e João Basílio feita para uma importante personalidade da capital.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O desabamento da justiça social e os psicólogos

 



Essa é a política social vigente na maior parte do Brasil. Infelizmente, as seguidas demonstrações de que o investimento social traz retornos inclusive financeiros não é suficiente para mudar a mentalidade de grupos dominantes que insistem em criminalizar a pobreza. Precisamos de uma resposta urgente ao crescimento de um novo tipo de nazi-facismo brasileiro. Respostas como a que deu o Conselho Federal de Psicologia.


Do Psicologia Online

A reintegração de posse da área ocupada pela comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos, São Paulo, vem repercutindo na imprensa e nas redes sociais pela violência e ilegalidade com que foi realizada. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) vem a público solidarizar-se com as famílias da ocupação e questionar tanto os métodos usados na reintegração de posse como os seus objetivos.

A violência usada na ação policial não pode ser admitida, sob pena de compactuarmos com práticas que violam frontalmente os direitos humanos. Mais uma vez, nos perguntamos: que interesses estão por trás dessa ação truculenta?

Não havia urgência na desocupação que pudesse justificar a necessidade de ação policial para a reintegração de posse enquanto a disputa jurídica estava em curso. As terras em litígio, segundo informações amplamente divulgadas na imprensa, pertencem à massa falida de empresa privada e já estavam sendo ocupadas há pelo menos 8 anos pelas famílias no Pinheirinho.
Mais de 3.000 famílias que estão em condições precárias de alojamento, muitas crianças, idosos, mulheres gestantes que dividem espaços improvisados, sem que seus direitos especiais sejam respeitados. Muitos não puderam nem retirar seus pertences e várias casas já foram demolidas nesta segunda-feira (23/01/2012).

Aos profissionais que estão atuando com a população desalojada, principalmente psicólogas e psicólogos, o CFP manifesta apoio nas ações cotidianas de enfrentamento ao sofrimento causado por tamanha violência. Conforme os princípios fundamentais do Código de Ética da Profissão, a Psicologia deve se colocar no papel de promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuir para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, baseando o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Por fim, o CFP solidariza-se com o secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Roberto Martins Maldos, que é também membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho, que acompanhava em diálogo com moradores do Pinheirinho a desocupação e foi ferido com bala de borracha durante a ação da Polícia Militar.

Faço votos que o governo federal não espere para agir. Agir, é bom esclarecer, com políticas sociais verdadeiras e justas para pessoas que tem suas casas e vidas desabadas, como em São Paulo, e também agir através de políticas habitacionais que evitem que prédios desabem sobre as pessoas, como aconteceu ontem no Rio. Aliás, a especulação imobiliária através do Minha Casa Minha Vida está criando um novo tipo de especulador financeiro oriundo da chamada "classe c" ou batalhadores. Mas isto é assunto para outra hora. Não entendo como o tema da justiça social tenha sumido de uma hora pra outra de todas as conversas e lugares. Ainda precisamos, e muito, de lutar por justiça social!

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